Punho de Ferro - Netflix - Crítica



Após várias polêmicas envolvendo a crítica internacional, chega à Netflix a mais nova produção em parceria com a Marvel. Punho de Ferro.

Antes de sua estréia formadores de opinião de alguns sites internacionais tiveram acesso aos 6 primeiros episódios da série para formularem suas críticas, que foram uma incrível bomba detonando a série, falando muito sobre a etnia do personagem principal e que a série é parada e que não é muito similar as produções anteriores da parceria onde, segundo esses mesmo críticos, havia um tom maior de realismo.

Bem, após Dr. Estranho o mundo místico foi mais explorado nas produções da Marvel, apesar desse teor já está estabelecido desde Thor e que também foi abordado em Agentes da SHIELD e agora em Punho de Ferro ele também vem a tona. 

A Série bebe da fonte original em muitos elementos, mas também estabelece seu próprio caminho servindo para costurar ligações com as séries anteriores através tanto da personagem Clarie quanto da Madame Gao.

Mas e sobre tudo isso que a crítica internacional falou?


Punho de ferro realmente não é a melhor desse conjunto, mas não chega a ser ruim, quando comecei, senti a mesma coisa de quando vi Jessica Jones e Luke Cage, se trata de um personagem com uma temática bem diferente dos seus parceiros de produção, existem falhas (vou falar delas mais à frente, devido a spoilers) mas a série cumpre seu papel dentro desse universo, ela consegue estabelecer uma relação melhor com a segunda temporada do Demolidor que Luke Cage, a ação é convincente, gostei muito do conflito interno do Danni/Punho de Ferro, mostrando ele um pouco 'surtado', o que acrescentou uma boa camada ao personagem. 

A história cria uma mitologia para o personagem e seu mundo místico. É uma série onde há muito suspense e que a palavra chave é dualidade, muitos personagens tem essa característica e lidam com vários conflitos interno, a relação entre fúria e controle, bem e mal, permeia toda produção, o que acrescenta um tom a mais e várias camadas a serem analisadas por quem assisti.

A maior falha é que para uma série de Kung fu, as lutas poderiam ser melhores, mais elaboradas, como vimos muito bem em Demolidor, isso deveria ser levado ao máximo aqui, o que  não iria atrapalhar em nada as lutas internas do personagem. Algo como mostrado no filme O Homem do Tai Chi  ou nos filmes do Jackie Chan deixariam a série em um nível aceitável, assim como Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage, sem abandonar a temática.

Em resumo sem muitos spoilers é isso, a série vale a pena ser vista, mais que a aura mística em que a série e fundamentada, o que temos é a sensação de suspense e curiosidade durante toda trama, episódio após episódio perguntas e mais perguntas aparecem, algumas vão sendo respondidas outras ficam durante vários capítulos suspensas e até não respondidas. Se você já acompanha as outras séries não pode deixar de ver pelo terreno que ela prepara para Os Defensores, se você não viu, recomendo que veja as anteriores na ordem de lançamento.





Se você chegou aqui, agora é a hora de uma análise mais detalhada e com alguns spoilers para podermos contextualizar melhor.

Como já falei antes, Punho de Ferro não chega a ser a melhor série Marvel/Netflix, mas bem que poderia ser.  Mas talvez ela seja a mais importante, pois é a que mais se aprofunda em elementos mitológicos.


A série se alonga nos 2, 3 primeiros episódios quando Danni tenta provar que ele é o garoto dado como morto, isso poderia ter se resolvido mais facilmente mas de uma forma tão simples como foi exibida e deixado mais tempo para outras questões. Essa parte da trama se aproveitou para fazer uma das ligações com as outras séries através da personagem Jeryn Hogarth (Carrie Anne Moss).




A família Meachum tem um arco próprio dentro da série e durante toda história e ela representa bem a dualidade tão latente na série, Joy Meachum (Jessica Stroup), Ward Meachum (Tom Pelphrey) e o pai de ambos,  Harold Meachum (David Wenham)     tem um grande potencial não aproveitado para vilões, eles ficam flutuando entre os lados do bem e da vilania.




O conflito interno de Danni/Punho de Ferro é um ponto que achei muito interessante, mostrando um homem quebrado, perturbado entre sua missão como punho de ferro e sua identidade como Dani Rand, até metade da série essas duas personas parecem estar em conflito e não há muitas respostas inicialmente. Essa relação entre Dani Rand e Punho de Ferro é demonstrada incialmente na forma da voz interior, como o dragão falando com Dani e que precisam estar em sintonia para extrair o máximo do poder do Punho, podemos ver que Dani apesar de ser O Punho de Ferro ainda está incompleto.

A grande ameça global aqui é sem dúvida o tentáculo, que vem sendo explorado desde a primeira temporada do Demolidor, na persona da Madame Gao. Apesar de sua aparição mais visível na segunda temporada do Demolidor o grupo secreto aqui tem mais destaque, sendo o principal inimigo do Punho de Ferro. Aliás,  a Madame Gao se mostra mais um vez a grande personagem que é, uma vilã sólida, que envolve suas vítimas com suas palavras, mais uma vez as séries demonstrando para o cinema como criar vilões realmente impactantes. 

Punho de ferro é a que mais tem ligações com todo universo que vem sendo construído, os produtores tiveram um cuidado ao introduzirem ligações diretas e menções que se costuram organicamente a trama, podendo parecer forçada em alguns momentos mas interessante para estabelecer  essas ligações, como a menção sutil a uma investigadora particular "que vale cada centavo quando está sóbria".

Para uma série com a temática Kung Fu, punho de ferro erra feio, lutas que muitas vezes não convencem mas poderiam passar, são sempre interrompidas por diálogos desnecessários, talvez em uma tentativa de homenagear filmes antigos e os próprios quadrinhos, poderiam ter dado o toque realista que a crítica queria, isso poderia ter deixado a série mais convincente. Vide a luta ridícula com a Dr Aranha no 'torneio' do tentáculo.

Ela se perde um pouco no começo mas aos poucos vai se encontrando, ainda assim é uma série interessante, conversando bem com as outras produzidas entre a Marvel/Netflix e consegue se estabelecer bem nesse mundo sem estar totalmente apoiada nas suas irmãs de casa.

Senti falta de mostrar mais de Kun Lun e sobre o teste em que Dani enfrenta Shao Lao, deixando aquela sensação de algo feito pela metade.


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