Sombras do Recife, Projeto trás lendas populares para os Quadrinhos


O Imaginário popular de um Recife assombrado, tomam as páginas de Sombras do Recife, projeto da pernambucana Roberta Cirne. 


O projeto Sombras do Recife, narra histórias ambientadas em cenários conhecidos do público recifense usando personagens do imaginário popular. 

"Sempre gostei muito da temática de horror, desde criança, e já escrevia contos de suspense com 9 anos. A ideia da HQ surgiu em 1998, em um formato diferente. Eu queria fazer um quadrinho misturando cultura local com vampiros, pois já tinha personagens e histórias nesta linha de terror mais globalizado"

Nesses quase 20 anos de pesquisa e trabalho, Roberta investigou muito os costumes, a arquitetura, personagens e a cultura recifense, dentre as inspirações e pesquisa ela estudou publicações de Mario Sette,  Vanildo Bezerra Cavalcanti, Pereira da Costa, Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, José Antônio Gonsalves de Mello, e suas caracterizações sociológicas.


"Aos poucos fui refinando a história, à medida que lia mais sobre os usos e costumes da cidade, monumentos demolidos e desaparecidos, roupas, personagens pitorescos, doces, usos e costumes, coisas que só Recife tem. Fui juntando o material de referência ao longo dos anos em reportagens de jornais, livros encontrados em sebos, fotos, arquivos. Ainda tenho os manuscritos desta época e a pesquisa histórica que fiz guardados, pois se trata de material praticamente inédito na internet, de livros que nunca foram reeditados em dezenas de anos"


Quando finalizado, o primeiro volume de Sombras do Recife - ela pretende fazer três - contará duas histórias: Boca de ouro e A velha branca e o bode vermelho. A primeira trama é ambientada entre os anos 1911 e 1913 e aborda as reformas acontecidas na cidade, a demolição do porto e a vida noturna dos cafés da praça do Diário com o surgimento do jogo do bicho e a boemia do início do séc. XX.




Boca de ouro é um condutor de bonde de burro no Recife de 1913, que está passando pelas reformas e mudanças de transportes urbanos. Humilde e com os dentes estragados, ele sonha em ficar com a mulher que ama, mas que é casada.  Ele é demitido, e resolve entrar para o jogo do bicho, que acabou de chegar na cidade. Torna-se o maior bicheiro da cidade, coloca uma dentadura de ouro e casa-se com a mulher amada, após assassinar o esposo dela. O que ele não sabe é que a história tomará um rumo inesperado e terrível", revela.

A velha branca e o bode vermelho usa duas lendas locais: a da criança fantasma e da velha que encontra um bode vermelho. "Foca no Recife de 1885, a sociedade da época, as cadeiras de arruar, anquinhas, missas, teatros, as chamadas 'negras de ganho' (que vendiam doces para os patrões) e toda a sociedade recifense, bem como as relações escravistas dos fins do século XIX"



Para viabilizar o projeto, a artista lançou uma campanha de financiamento coletivo por meio da qual pretende levantar fundos, através do Catarse, você pode acessar aqui, conhecer as cotas e ajudar.

Além do projeto para publicar a HQ física, também está desenvolvendo um blog e pretende lançar a publicação em uma plataforma de webcomics e também estará divulgando seu trabalho na CCXP Recife.

Roberta Cirne é uma das poucas ilustradoras mulheres de Pernambuco, atuando na área desde 1992. Ela publicou quatro volumes de História desenhada em parceria com Amaro Braga Passos Perdido pela Fundarpe e pelo Ministério da Cultura, que recebeu, em 2007, o prêmio HQ Mix de Maior Contribuição do Ano. 

Ela também já abordou a história da população negra em AFRO HQ, em que fala sobre a formação do continente africano até os dias atuais em uma história contada pelos orixás, além de Heróis da restauração, sobre a invasão holandesa.


             
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